Tipos de prata: prata 925, 950, 800 e o que cada número significa
Se você já pesquisou sobre joias, certamente se deparou com o número 925 na descrição das peças. Aqui na Michelle T., todas as nossas joias em prata seguem esse padrão. Mas o que significa prata 925, e o que muda de uma liga para outra? Os tipos de prata mais comuns são a 999 (pura), a 960, a 950, a 925 (esterlina ou prata de lei), a 900, a 850 e a 800 — o número indica quantas partes de prata pura existem em cada mil partes da liga. Entender essa diferença ajuda a fazer escolhas melhores e a saber exatamente o que você está comprando.
Neste guia
- O que é prata 925?
- O que é prata esterlina?
- O que é prata de lei?
- Por que a prata pura não é usada em joias?
- Os tipos de prata, um por um: 999, 960, 950, 925, 900, 850 e 800
- Prata 925 ou prata 950: qual é melhor?
- Tabela de todos os teores de prata
- Qual é a prata mais pura? E qual é a mais cara?
- Onde fica a marcação da prata e como ler o número
- Como saber se a prata é verdadeira
- Qual prata não escurece?
- O que é banho de ródio e banho de ouro na prata 925?
- Joia em prata 925, semijoia e bijuteria: qual a diferença?
- Perguntas frequentes sobre tipos de prata
O que é prata 925?
Prata 925 é a liga formada por 92,5% de prata pura e 7,5% de outros metais, quase sempre cobre. O número 925 significa exatamente isso: 925 partes de prata pura em cada 1.000 partes da liga. É o padrão da joalheria no mundo inteiro e também é chamada de prata esterlina e de prata de lei — os três nomes se referem ao mesmo material.
Os 7,5% de cobre não são "enchimento". Eles existem porque a prata pura é macia demais para virar anel, brinco ou pulseira: entortaria e riscaria no primeiro mês de uso. O cobre dá dureza e resistência mecânica à peça sem tirar o brilho branco característico da prata. É por isso que a 925 se firmou como o ponto de equilíbrio da joalheria, e não a 999.
Prata 925 é um metal nobre. A peça é feita de prata por inteiro, do lado de fora ao lado de dentro — não é uma base de metal comum com uma camada por cima. Por isso ela não descasca e pode ser polida quantas vezes for preciso ao longo da vida.
O que é prata esterlina?
Prata esterlina é prata 925. Mesmo material, dois nomes. "Esterlina" é a tradução do inglês sterling silver, o termo usado no mercado internacional para a liga de 92,5% de prata pura com 7,5% de outros metais. Quando uma etiqueta diz "prata esterlina 925", ela não está informando duas coisas: está dizendo a mesma coisa duas vezes.
A confusão é comum porque no Brasil circulam três nomes para o mesmo produto:
- Prata 925 — o nome técnico, pelo teor.
- Prata esterlina — o nome de origem inglesa, o mais usado em catálogos importados e em descrições traduzidas.
- Prata de lei — o nome tradicional em português, ligado à ideia de teor mínimo garantido por lei.
Se você está comparando duas peças e uma diz "prata esterlina" e a outra diz "prata 925", o teor é o mesmo. O que pode variar entre elas é a espessura, o acabamento, o banho aplicado por cima e a qualidade da montagem — nunca o material da liga.
O que é prata de lei?
Prata de lei é a prata que atende a um teor mínimo fixado por lei — e é daí que vem o nome. Ao longo da história, diferentes países estabeleceram por norma o percentual mínimo de prata pura que uma peça precisava ter para poder ser vendida como prata, e o patamar de 92,5% acabou se firmando como a referência internacional da joalheria. Por isso, no uso corrente, prata de lei designa qualquer peça com teor mínimo de 92,5% de prata.
Na prática, quando alguém no Brasil fala "prata de lei", está falando de prata 925 ou de um teor superior a ela. Uma peça de prata 800 é prata de verdade, mas não é prata de lei — o teor fica abaixo do mínimo.
Por que a prata pura não é usada em joias?
A prata 100% pura é mole demais. Ela risca, entorta e perde a forma com facilidade, o que a torna inadequada para peças do dia a dia. Por isso, é sempre misturada a outros metais para ganhar resistência. O número que aparece no nome da liga indica a proporção de prata pura nessa mistura, em partes por milhar.
Vale guardar esta regra, porque ela explica quase tudo que vem a seguir: quanto mais pura a prata, mais macia ela é. Um teor mais alto não significa uma joia melhor — significa uma joia mais nobre e mais frágil ao mesmo tempo. Uma aliança de prata 999 é linda no primeiro dia e ovalizada no terceiro mês. Um pingente de prata 999, que quase não sofre esforço, aguenta bem. A pergunta certa não é "qual é a prata mais pura", é "qual é a prata certa para esta peça".

Os tipos de prata, um por um: 999, 960, 950, 925, 900, 850 e 800
Prata 999 é boa? (prata pura ou prata fina)
É a melhor prata que existe em pureza e a pior para anel de uso diário. A prata 999 tem 99,9% de prata pura — é o que o mercado chama de prata pura ou prata fina. Justamente por não ter liga, ela é extremamente macia: risca com a unha, entorta com a pressão da mão e não segura pedra com firmeza.
Composição: 99,9% de prata, praticamente sem outros metais.
Uso típico: lingotes, moedas de investimento, peças comemorativas, fios e chapas para o ourives trabalhar, e algumas peças decorativas.
Escurece? Sim, como toda prata, mas devagar e de forma mais uniforme: sem cobre na liga, não aparece aquela mancha esverdeada nem os pontos escuros localizados.
Serve para joia de uso diário? Não para anel, pulseira ou fecho. Em pingente e brinco leve, que quase não sofrem esforço, funciona — mas ainda risca com facilidade.
Prata 960 é boa?
Sim, para quem quer teor alto sem abrir mão totalmente da resistência. A prata 960 tem 96% de prata pura. A versão mais conhecida no mercado internacional são as ligas modernas com germânio (a linha Argentium é vendida nos teores 935 e 960), formuladas para resistir mais ao escurecimento do que a 925 comum.
Composição: 96% de prata, com o restante em cobre e, nas ligas modernas, uma pequena parte de germânio.
Uso típico: ourivesaria de estúdio, peças autorais e joias em que o brilho branco e o acabamento são o ponto principal.
Escurece? Mais devagar que a 925 — nas ligas com germânio, bastante mais devagar.
Serve para joia de uso diário? Serve, com cuidado. Ainda é mais macia que a 925, então não é a melhor escolha para anel de uso pesado.
Prata 950 é boa?
Sim, é uma prata excelente — o ponto de atenção é a maciez, não a qualidade. A prata 950 tem 95% de prata pura e 5% de outros metais, normalmente cobre. Foi por muito tempo o primeiro padrão francês de prataria fina e ainda é muito usada em joalheria artesanal, inclusive em peças da América do Sul.
Composição: 95% de prata + 5% de outros metais (em geral cobre).
Uso típico: joias artesanais, peças com filigrana e detalhes trabalhados à mão, prataria fina. A maleabilidade maior ajuda o ourives no trabalho manual.
Escurece? Sim, um pouco mais devagar que a 925, porque tem menos cobre na liga.
Serve para joia de uso diário? Serve, com um cuidado a mais. Risca e deforma mais rápido que a 925 em anel e pulseira. Para brinco, pingente e peça de ocasião, é ótima. Se a sua dúvida é entre as duas, veja a comparação direta entre prata 925 e prata 950 logo abaixo.
Prata 925 é boa? (prata esterlina)
É a melhor prata para joia de uso diário, e por isso virou o padrão mundial. A prata 925 tem 92,5% de prata pura e 7,5% de outros metais, normalmente cobre. O cobre adiciona resistência sem comprometer o brilho característico da prata. É o equilíbrio entre dureza, durabilidade e beleza.
Composição: 92,5% de prata + 7,5% de outros metais (em geral cobre).
Uso típico: anéis, brincos, colares, pulseiras, alianças, fechos e tarraxas — praticamente toda a joalheria em prata do mundo.
Escurece? Sim. É a referência de comparação: nem a mais rápida nem a mais lenta. Com banho de ródio, demora muito mais.
Serve para joia de uso diário? Sim, é exatamente para isso que ela existe.

Prata 900 é boa?
É prata de verdade e é resistente, mas não é prata de lei e escurece mais rápido. A prata 900 tem 90% de prata pura e 10% de outros metais. É a liga historicamente conhecida como coin silver, porque foi o teor de moedas de prata em vários países.
Composição: 90% de prata + 10% de outros metais, principalmente cobre.
Uso típico: moedas antigas, talheres e objetos de prataria, peças de época. Em joia moderna, aparece pouco.
Escurece? Sim, mais rápido que a 925 — mais cobre na liga significa oxidação mais visível.
Serve para joia de uso diário? Aguenta bem em resistência, mas exige limpeza mais frequente. Como está abaixo do mínimo de 92,5%, não pode ser vendida como prata de lei.
Prata 850 é boa?
Para objetos, sim; para joia de uso diário, não é a melhor escolha. A prata 850 tem 85% de prata pura. Aparece principalmente em prataria antiga e em peças de origem europeia, sob normas regionais mais permissivas que a brasileira.
Composição: 85% de prata + 15% de outros metais.
Uso típico: talheres, bandejas, castiçais, molduras e objetos decorativos antigos.
Escurece? Sim, mais rápido que a 900. O volume de cobre já é grande o bastante para acelerar bem o processo.
Serve para joia de uso diário? Não é indicada. Além de escurecer rápido, o teor mais alto de cobre incomoda mais quem tem pele sensível.
Prata 800 é boa?
É boa para o que foi feita — objetos e prataria de mesa — e ruim para joia de contato diário com a pele. A prata 800 tem 80% de prata pura e 20% de outros metais. É o padrão clássico de baixelas alemãs e italianas.
Composição: 80% de prata + 20% de outros metais, com forte presença de cobre.
Uso típico: louças, baixelas, talheres, objetos de decoração e peças antigas de coleção.
Escurece? Sim, bem mais rápido que a 925. É a liga desta lista que mais escurece e a que mais tende a manchar a pele.
Serve para joia de uso frequente? Não. Para anel e pulseira, é a pior das opções da lista.
Prata 925 ou prata 950: qual é melhor?
Para joia de uso diário, a prata 925 é melhor. Para peça artesanal, de ocasião ou com detalhe trabalhado à mão, a prata 950 é melhor. Não existe uma "vencedora" absoluta: a 950 tem mais prata pura, a 925 tem mais resistência, e o que decide é o uso que a peça vai ter.
| Prata 925 | Prata 950 | |
|---|---|---|
| Prata pura na liga | 92,5% | 95% |
| Resistência a risco e deformação | Maior | Menor |
| Brilho | Branco, característico da prata | Levemente mais intenso |
| Velocidade de escurecimento | Referência | Um pouco mais lenta |
| Preço por grama | Menor | Um pouco maior |
| Melhor para | Anel, aliança, pulseira, uso diário | Peça artesanal, filigrana, uso ocasional |
| É prata de lei? | Sim | Sim |
Na prática: se a peça vai no seu dedo todo dia, encosta em bancada, em bolsa, em teclado e em maçaneta, a 925 vai durar mais bonita por mais tempo. Se a peça é um brinco de festa, um pingente ou uma joia artesanal que você usa de vez em quando, a 950 entrega um pouco mais de prata e um brilho um toque mais alto sem prejuízo real.
Um ponto que costuma ser mal entendido: a diferença de 2,5% de prata entre as duas não muda a aparência de forma perceptível para quem olha. Muda o comportamento da peça no uso.
Tabela de todos os teores de prata
| Marcação | % de prata | Liga | Uso típico | Escurece? |
|---|---|---|---|---|
| 999 | 99,9% | Praticamente sem outros metais | Lingotes, moedas, peças comemorativas, matéria-prima do ourives | Sim, devagar e sem manchar de verde |
| 985 | 98,5% | 1,5% de outros metais | Teor histórico austro-húngaro, usado em moedas e peças antigas. Existe, mas é raro em joia atual | Sim, devagar |
| 975 | — | — | Não é um teor padronizado internacionalmente. Se você viu essa marcação numa peça, peça ao vendedor a informação de teor por escrito | — |
| 960 | 96% | 4% de outros metais; nas ligas modernas, com germânio | Ourivesaria de estúdio e peças autorais | Sim, mais devagar que a 925 |
| 950 | 95% | 5% de outros metais, em geral cobre | Joia artesanal, filigrana, prataria fina | Sim, um pouco mais devagar que a 925 |
| 945 | — | — | Não é um teor padronizado. As ligas modernas dessa faixa que existem de fato são a 935 e a 960 | — |
| 940 | — | — | Não é um teor padronizado internacionalmente. Pode ser liga proprietária de um fabricante específico — confirme com quem vende | — |
| 925 | 92,5% | 7,5% de outros metais, em geral cobre | Joalheria em geral: anel, brinco, colar, pulseira, aliança | Sim — é a referência de comparação |
| 900 | 90% | 10% de outros metais | Moedas antigas, prataria, peças de época | Sim, mais rápido que a 925 |
| 850 | 85% | 15% de outros metais | Prataria e objetos decorativos antigos | Sim, mais rápido que a 900 |
| 800 | 80% | 20% de outros metais | Baixelas, talheres, objetos de mesa | Sim, bem mais rápido que a 925 |
| 625 | — | — | Não é teor de prata para joalheria. Quando aparece gravado numa peça, quase sempre é código de fabricante ou referência de outro material, não teor | — |
E a "prata 5925"? Não existe teor 5925. Nenhuma norma de prata usa quatro dígitos. Esse número aparece em anúncios como uma forma comercial de escrever peças descritas como prata 925 com banho, e às vezes como código interno de loja. Se você encontrar "5925", trate como o que é: uma descrição de vendedor, não uma marcação oficial. Antes de comprar, pergunte qual é o teor real da estrutura da peça e se existe banho por cima.
Uma observação sobre números soltos: marcação de teor em prata é sempre um número de três dígitos, como 800, 925 ou 950. Um número de um ou dois dígitos gravado dentro de um anel normalmente não é teor — costuma ser numeração de aro (o tamanho) ou código do fabricante.
Qual é a prata mais pura? E qual é a mais cara?
A prata mais pura é a 999, com 99,9% de prata. Depois dela vêm, em ordem, a 985, a 960, a 950, a 925, a 900, a 850 e a 800.
A mais cara por grama também é a 999, pelo mesmo motivo: mais prata dentro da mesma massa. Mas isso quase nunca decide o preço de uma joia pronta. O preço final de uma peça depende muito mais do peso, do trabalho de ourivesaria, do banho aplicado, das pedras e do acabamento do que dos 7,5 pontos percentuais que separam a 925 da 999. Uma joia bem-feita em prata 925 pode custar bem mais que uma peça simples em prata 950.
E vale repetir a parte que a maioria das listas esquece: a mais pura não é a melhor para joia. Se fosse, a joalheria do mundo inteiro estaria trabalhando com 999 em vez de 925.
Onde fica a marcação da prata e como ler o número
A marcação vem gravada na própria peça, em letras minúsculas, quase sempre em um lugar que não aparece quando a joia está sendo usada. Onde procurar:
- Anel: na parte interna do aro, do lado de dentro.
- Brinco: na tarraxa, na base do pino ou atrás da peça.
- Colar e pulseira: na plaquinha junto ao fecho, no corpo do fecho ou na argola de ligação.
- Pingente: no verso da peça ou na argola por onde passa a corrente.
O que você vai encontrar gravado é o número do teor — 925, 950, 800 — às vezes acompanhado de outras marcas. As formas mais comuns de escrever a mesma coisa são: 925, .925, S925, AG925, STER, STG e STERLING. Todas significam prata 925. Ao lado do teor pode haver ainda a marca do fabricante (iniciais ou símbolo) e, em peças importadas, a indicação do país de origem.
Duas orientações práticas. A primeira: a gravação é pequena mesmo, então use boa luz e, se precisar, a câmera do celular com zoom. A segunda: a ausência da marcação não prova que a peça é falsa — peças muito finas, muito pequenas ou muito antigas às vezes não têm onde gravar, e o desgaste do uso apaga a marca com o tempo. E o contrário também vale: a presença do "925" sozinha não prova que a peça é verdadeira, porque a gravação pode ser falsificada. Por isso os testes abaixo existem.
Como saber se a prata é verdadeira
Nenhum teste caseiro dá certeza absoluta de teor — só análise de laboratório faz isso. O que os testes caseiros fazem bem é eliminar falsificação grosseira. Combine dois ou três deles e você já elimina a maior parte das peças que não são prata.
Teste do ímã
O que prova: que a peça tem ou não metal ferroso. Prata não é magnética. Se o ímã gruda com força na peça, existe ferro ou aço ali dentro e não é prata maciça.
O que não prova: que a peça é prata. Latão, cobre, alumínio, zinco e a maioria dos metais usados em bijuteria também não são magnéticos. Passar no teste do ímã é o mínimo, não a prova.
Teste do pano branco
O que prova: que a superfície oxida como prata oxida. Esfregue a peça com um pano branco, macio e limpo. A prata deixa uma marca acinzentada ou escura no tecido, porque a camada superficial de sulfeto de prata sai com o atrito.
O que não prova: o teor. E atenção a um falso negativo importante: peça com banho de ródio não deixa marca, porque o ródio não escurece — e ela continua sendo prata 925 por baixo. Peça recém-polida também pode não marcar nada.
Teste do gelo
O que prova: alta condutividade térmica. A prata conduz calor melhor que qualquer outro metal. Coloque um cubo de gelo sobre a peça: sobre prata, ele derrete visivelmente mais rápido do que sobre uma peça de metal comum de tamanho parecido.
O que não prova: o teor. E o teste só funciona bem em peça com alguma massa e superfície plana — em corrente fina ou brinco pequeno, não dá para concluir nada.
Peso e densidade
O que prova: um indício. A prata é densa (cerca de 10,5 g/cm³) e a peça costuma pesar mais do que o tamanho dela sugere. Uma peça grande e surpreendentemente leve merece desconfiança.
O que não prova: quase nada sozinho, porque depende de a peça ser maciça ou oca. Corrente oca e peça vazada são legítimas e leves.
Som
O que prova: prata de teor alto produz um som agudo e prolongado ao ser batida levemente, diferente do som curto e seco de metais comuns.
O que não prova: o teor exato. E o teste só serve para peças maciças e planas, tipo moeda. Em corrente, anel e brinco, é inútil.
O que não fazer
Não use ácido em casa. Os kits de teste ácido existem e funcionam nas mãos de quem sabe usar, mas são corrosivos, marcam a peça de forma permanente e não valem o risco para uma dúvida que uma loja séria resolve com uma informação. Também não confie em teste de alvejante nem em receitas caseiras que danificam o acabamento.
Mais duas dúvidas que aparecem sempre. Prata risca? Sim — prata é um metal macio e risca com o uso, inclusive a 925. Risco é sinal de metal maciço, não de peça falsa, e sai com polimento. Prata descasca? Não. Se o acabamento está descascando e aparecendo outra cor de metal por baixo, a peça não é prata maciça: é uma base de outro metal com banho, ou seja, uma semijoia, que é uma categoria diferente.
Por fim, o mais eficiente de todos os testes continua sendo o mais chato de ouvir: compre de quem informa o material de cada peça com clareza, aceita responder por escrito qual é o teor e qual é o banho, e tem histórico de atendimento.
Qual prata não escurece?
Nenhuma. Toda prata escurece, inclusive a 999 — o que muda entre elas é a velocidade. Quem promete prata que não escurece está vendendo outra coisa, ou está falando de banho.
O escurecimento não é ferrugem e não é defeito. É uma reação química com o enxofre presente no ar, na poluição, no suor, em alguns alimentos, na borracha e na lã: 2 Ag + H₂S → Ag₂S + H₂. O produto dessa reação é o sulfeto de prata (Ag₂S), uma camada escura que se forma na superfície e não consome a peça. Nas ligas com cobre, o cobre oxida preferencialmente, o que explica por que a prata 800 escurece muito mais rápido que a 925 e por que ligas com menos cobre demoram mais.
Ordenando pela velocidade, do mais lento ao mais rápido: 999 e 985 escurecem devagar e de forma uniforme; 960 e 950 vêm em seguida; a 925 é a referência; 900, 850 e 800 escurecem progressivamente mais rápido, na medida do cobre que têm.
O que realmente muda o jogo é o banho de ródio. O ródio é um metal do grupo da platina que não reage com enxofre, então uma peça de prata 925 com banho de ródio branco fica isolada do ar e demora muitíssimo mais para escurecer. É a resposta prática para quem quer o mínimo de manutenção. Vale saber que o banho tem espessura e se desgasta com o tempo, então "demora muito mais" não é o mesmo que "nunca".
Uma nota de vocabulário: a prata escurecida de propósito, como acabamento, tem nome — chama-se prata oxidada ou prata envelhecida, e é usada para dar profundidade a peças com relevo. O ródio negro produz um efeito escuro parecido, mas por outro caminho.
Para ir a fundo, temos dois textos dedicados ao assunto: prata 925 oxida? o que realmente acontece e como evitar e como limpar joia de prata escurecida e recuperar o brilho. Se a sua peça já escureceu, o segundo resolve.
O que é banho de ródio e banho de ouro na prata 925?
Muitas joias em prata 925 recebem um banho adicional por cima da estrutura. Esse banho não altera a classificação da peça, que continua sendo uma joia em prata 925.
O banho de ródio branco protege a peça da oxidação, dá um acabamento mais brilhante e levemente mais frio no tom. O banho de ródio negro cria um visual escurecido, com estética mais contemporânea. Já o banho de ouro 18k aplica uma camada dourada sobre a prata, criando o efeito banhado a ouro sem que a estrutura da peça deixe de ser prata 925.
Aqui na Michelle T., nossas joias em prata 925 estão disponíveis com banho de ródio branco, ródio negro e ouro 18k. Se você quer entender o metal por trás do acabamento, vale ler o que é o ródio (ou rodio) e para que serve o banho de ródio.
Joia em prata 925, semijoia e bijuteria: qual a diferença?
São categorias diferentes e não devem ser confundidas.
A joia em prata 925 tem estrutura inteiramente feita de prata 925, um metal nobre. Pode receber banhos de ródio ou ouro por cima, mas a base é sempre prata de lei. É uma peça durável e que não descasca. A prata 925 é liga de prata com cobre e não leva níquel na composição — e o níquel é o alérgeno mais comum em bijuteria, o que explica por que muita gente que reage a bijuteria não reage a prata 925. Isso não é o mesmo que garantir peça hipoalergênica: sensibilidade é individual e não dá para prometer.
A semijoia tem estrutura de metal não nobre, geralmente latão ou cobre, com banho de metal nobre por cima. É uma categoria distinta: a peça tem aparência similar à da joia, mas a base é diferente. A qualidade do banho e a espessura da camada são o que determinam a durabilidade da semijoia.
A bijuteria é feita de materiais sem nenhum metal nobre, como metal comum, plástico ou resina, e tem vida útil menor.
O tema tem detalhes que valem a leitura completa em joia, semijoia e bijuteria: qual é a diferença. E se a sua dúvida é se compensa investir em prata, veja o que faz uma joia em prata 925 valer o investimento.
Perguntas frequentes sobre tipos de prata
Quantos tipos de prata existem?
Em joalheria, os teores que você realmente encontra são estes: 999, 985, 960, 950, 925, 900, 850 e 800. Desses, a 925 responde pela grande maioria das joias vendidas no mundo. Outros números que circulam na internet, como 975, 945, 940, 927 e 5925, não correspondem a teores padronizados.
O que é prata 925?
Prata 925 é a liga com 92,5% de prata pura e 7,5% de outros metais (normalmente cobre), também chamada de prata esterlina ou prata de lei. É o padrão mundial da joalheria: o cobre dá resistência à peça sem tirar o brilho da prata.
Prata 925 é prata pura?
Não — e isso é proposital. A prata pura (999) é macia demais para joias: risca e entorta com facilidade. Os 7,5% de outros metais da 925 existem justamente para dar resistência. É prata de verdade, na proporção certa para durar.
O que é prata esterlina?
É outro nome para a prata 925 — tradução do inglês "sterling silver". Prata esterlina, prata de lei e prata 925 são a mesma coisa. "Prata esterlina 925" é a mesma informação dita duas vezes.
Prata 950 é boa?
Sim. A prata 950 tem teor de prata pura maior que a 925 (95% contra 92,5%) e brilho ligeiramente mais intenso. O ponto de atenção é a resistência: por ser mais macia, risca e deforma com mais facilidade no uso diário. É uma ótima prata para peças artesanais e de ocasião; para o dia a dia, a 925 costuma ser mais prática.
Prata 950 escurece?
Escurece, sim, um pouco mais devagar que a 925 porque tem menos cobre na liga. A diferença é real, mas pequena — não a ponto de dispensar limpeza e guarda adequadas.
Prata 925 é boa? Vale a pena?
Vale. A prata 925 é o padrão mundial da joalheria justamente por equilibrar pureza, resistência e brilho. É um metal nobre, durável e que não descasca. Como é liga de prata com cobre e não leva níquel — o alérgeno mais comum em bijuteria —, muita gente que reage a acessório não reage a prata 925. Isso não é o mesmo que garantir que a peça seja hipoalergênica: sensibilidade é individual e não dá para prometer.
Prata 999 é boa?
É a mais pura que existe, mas não é a melhor para joia. A maciez da prata 999 faz com que ela risque e entorte com muita facilidade. Ótima para lingote, moeda e peça de coleção; ruim para anel e pulseira.
Prata 900 é boa? E a prata 800?
As duas são prata de verdade, mas nenhuma é prata de lei, porque ficam abaixo dos 92,5%. A 900 aparece em moedas e prataria; a 800, em talheres e baixelas. Ambas escurecem mais rápido que a 925 e não são a melhor escolha para peça de contato diário com a pele.
Qual a prata mais pura?
A prata 999, com 99,9% de prata. Ela é também a mais cara por grama — e, ao mesmo tempo, a menos indicada para joia de uso diário, por ser macia demais.
Qual tipo de prata não escurece?
Nenhuma prata deixa de escurecer, porque a reação com o enxofre do ar é inevitável. O que existe é prata que demora muito mais: peças em prata 925 com banho de ródio branco mantêm o brilho por muito mais tempo e são a melhor escolha para quem não quer se preocupar com manutenção.
Como saber se uma peça é prata 925 de verdade?
Procure o carimbo "925" gravado na peça (em anéis, na parte interna do aro; em colares, no fecho ou na plaquinha ao lado dele). Depois, combine com o teste do ímã e o do pano branco. E compre de lojas que informam claramente o material de cada peça.
Semijoia de prata 925 existe?
Não, os dois termos se excluem. Se a estrutura é prata 925, a peça é uma joia. Semijoia é peça com base de metal não nobre e banho por cima. Anúncios que dizem "semijoia prata 925" normalmente estão descrevendo uma semijoia com banho de cor prateada — vale confirmar antes de comprar.
Quer saber como conservar suas peças? Veja o guia completo de cuidados com joias e semijoias.
E se você já sabe que quer prata de lei, temos a linha completa em prata 925: brincos em prata 925, colares em prata 925, conjuntos em prata 925 e as peças mais vendidas da loja.




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